quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Reativação de estrada de ferro entre Rio e Petrópolis deve custar R$ 62 milhões

27/10/2010 - Jornal de Turismo - Felipe Niemeyer, Rio de Janeiro

A reativação de um meio de transporte que poderia levar os passageiros da capital fluminense à Petrópolis, passando pelo município de Magé, em uma hora e meia, com baixo nível de acidentes, mais conforto, ecologicamente correto e com vista para a Mata Atlântica. Este é o objetivo da Lei 5.791/10, que declara de relevante interesse turístico e econômico para o Estado do Rio de Janeiro a reativação da Ferrovia Príncipe do Grão Pará, que parou de funcionar em 1964 por ser considerada economicamente inviável.

A norma é de autoria do presidente da Comissão de Turismo da Alerj, deputado João Pedro (DEM). “Além da importância histórica, reativar a ferrovia, de acordo com dados inéditos de uma pesquisa realizada pela comissão, significa atender os anseios não só do trade turístico, mas da maioria da população da cidade do Rio e 87% da população de Petrópolis”, afirmou o parlamentar, que também é autor de uma emenda ao Orçamento de 2010 que destinou R$ 250 mil à Secretaria de Estado de Transportes, para a realização de projetos de demanda da ferrovia.

O GT-Trem, grupo de trabalho ligado ao Conselho Municipal de Turismo de Petrópolis (Comtur) formado por 16 entidades, entre elas a Alerj, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), estima que, ao todo, a reativação da ferrovia teria um custo de R$62 milhões. O dinheiro seria utilizado para reformar as duas estações já existentes, hoje deterioradas, construir uma nova, eletrificar o trecho, construir oficinas, comprar três trens cremalheiras elétricas, com capacidade de 200 a 250 passageiros, e reurbanizar a área, além de reinstalar os 6 quilômetros de trilhos ociosos retirados. 

Os outros 49 quilômetros, da Raiz da Serra até o Centro do Rio, na Estação Leopoldina ou Barão de Mauá, ainda existem, mas precisam ser recuperados. “Mesmo assim, este custo é muito pequeno, em comparação com o que vamos ter de ganhos turísticos para o estado e para todo o País, pois podemos ver um movimento para a reativação de ferrovias no Brasil”, argumentou João Pedro.

Para o coordenador técnico do GTTrem, Antonio Pastori, a lei fez com que órgãos como as secretarias de estado de Transportes, Obras e Turismo, além das prefeituras de Petrópolis e Magé, já definissem as ações e os processos necessários para a reativação. “A Associação Brasileira de Preservação Ferroviária já provou, através de estudos, que a reativação tem viabilidade técnica e não é complicada. A obra levaria menos de um ano, já que o leito ainda existe e tecnologia também”, apontou Pastori, que acrescentou também que a ferrovia poderá gerar cerca de 1.500 postos de trabalho e atrair mais de 400 mil turistas por ano.



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